Impulsionada pelo avanço do petróleo e pelo recorde nas exportações do primeiro semestre, nova estimativa aponta crescimento de 32,3% no saldo da balança.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) elevou significativamente a projeção de superávit da balança comercial brasileira, saltando de US$ 72,1 bilhões para US$ 90 bilhões. Se o resultado se consolidar, a marca se tornará a segunda maior de toda a série histórica do país — atrás somente do recorde estabelecido em 2023 —, representando um avanço de 32,3% na comparação com o saldo de US$ 68,1 bilhões registrado no ano anterior.
A revisão dos indicadores econômicos foi anunciada nesta sexta-feira (3), após o fechamento do primeiro semestre apresentar um ritmo de transações internacionais acima do esperado pelo mercado. Nos primeiros seis meses do ano, as exportações brasileiras cresceram 11,5%, mantendo a tendência de alta a despeito de cenários globais adversos, como os conflitos no Oriente Médio e a implementação de barreiras tarifárias pela gestão de Donald Trump nos Estados Unidos.
Fluxo de comércio e metas ampliadas
Com o reajuste nos cálculos, o Mdic recalculou o fluxo comercial global do país. A previsão é que o volume total de exportações atinja US$ 394,4 bilhões, um acréscimo de US$ 30,2 bilhões sobre a estimativa divulgada em abril. No campo das importações, a expectativa de compras externas também foi reajustada, subindo de US$ 292,1 bilhões para US$ 304,4 bilhões.
De acordo com Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior da pasta, a alteração nos parâmetros oficiais valida o momento de forte aceleração do comércio exterior do país.
Junho histórico e a força do petróleo
A atualização dos dados coincidiu com a divulgação do balanço comercial de junho, mês em que o país registrou saldo positivo de US$ 9,8 bilhões. O desempenho mensal foi sustentado por um faturamento recorde de US$ 36,3 bilhões em exportações (alta de 24,9% sobre junho do ano passado), enquanto as importações somaram US$ 26,5 bilhões (crescimento de 14,4%). O principal vetor desse crescimento foi a indústria extrativa, que disparou 58,4% no período.
O petróleo bruto consolidou-se como o grande protagonista dos embarques nacionais. A expansão financeira combinou o aumento na quantidade física exportada (alta de 6,8%) com a valorização do produto no mercado internacional, cujo preço médio por barril subiu 67,6% em relação a junho do ano anterior. O agronegócio também deu suporte ao resultado com o escoamento da safra de soja, além do aumento nas vendas de carnes, combustíveis refinados e farelo de soja pela indústria de transformação.
No acumulado de janeiro a junho, a balança comercial do Brasil fechou com superávit de US$ 42,4 bilhões, superando amplamente os US$ 30,2 bilhões apurados no mesmo intervalo do ano passado. No balanço semestral, as exportações totais somaram US$ 184,8 bilhões frente a US$ 142,4 bilhões em importações.

