Operação do Gaeco prende dentistas, médica, servidores e ex-prefeito por esquema de R$ 27 milhões em MS

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Investigação mira desvios na compra de livros paradidáticos e apura o uso da regulação da saúde pública para coagir municípios.

A Operação Gutenberg, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), prendeu integrantes de uma suposta organização criminosa acusada de movimentar mais de R$ 27 milhões em contratos públicos fraudulentos em Mato Grosso do Sul. A ofensiva cumpriu 16 mandados de prisão preventiva e 43 de busca e apreensão em municípios do estado e em São Paulo e Goiás.

Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), o núcleo principal do esquema atuava no direcionamento de licitações para a aquisição de livros paradidáticos por meio de dispensas e inexigibilidades ilegais, utilizando empresas de fachada e pessoas físicas para ocultar e lavar o dinheiro público. Além da frente na educação, os agentes apuram se o grupo utilizava influência política na regulação da saúde estadual para pressionar ou favorecer prefeituras alinhadas à fraude.

Entre os detidos estão a cirurgiã-dentista Rossana Paroschi Jafar e sua filha, a médica e empresária Olívia Paroschi Jafar. Rossana é sócia-administradora da Gráfica Alvorada e já havia sido investigada em 2017 pela Polícia Federal na 4ª fase da Operação Lama Asfáltica. Olívia administra a Clínica Ross, empresa aberta em maio de 2026 e que também foi alvo de buscas.

A lista de presos e investigados com mandados cumpridos inclui:

  • Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior (“Junior Vasconcelos”): Ex-prefeito de Fátima do Sul, escrivão da Polícia Civil e servidor cedido ao gabinete do deputado estadual Jamilson Name na Assembleia Legislativa (Alems).

  • Ed Carlo Britto Burgatt: Coordenador estadual de Regulação Assistencial da Secretaria de Estado de Saúde (SES), suspeito de usar o acesso a leitos e exames do SUS como moeda de troca no esquema.

  • Marcio de Souza: Servidor público da Secretaria de Educação de Porto Murtinho, preso em flagrante com uma arma de fogo irregular.

  • Comerciante de 47 anos (Dourados): Marido de uma dentista investigada, autuado em flagrante por posse ilegal de arma de fogo durante busca em sua residência.

Desdobramentos e manifestações oficiais

Equipes do Gaeco cumpriram mandados de busca no Complexo Regulador Estadual (Core), órgão da Secretaria Estadual de Saúde responsável pelo gerenciamento de vagas e exames no estado.

Em nota oficial, o deputado estadual Jamilson Name esclareceu que Junior Vasconcelos exercia funções administrativas em seu gabinete e defendeu o devido processo legal. O Governo de Mato Grosso do Sul informou que apoiou a operação do Gaeco, determinou a imediata exoneração e afastamento dos servidores citados e instaurou procedimentos de auditoria por meio da Controladoria-Geral do Estado (CGE).

Até o momento do fechamento desta reportagem, as defesas dos investigados citados não haviam se manifestado publicamente.

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