Valdinei Figueiredo critica a “brutalidade financeira” no reajuste de 1.185% sobre a taxa do cônjuge e convoca servidores para ato nesta sexta-feira em Campo Grande.
O presidente da Associação dos Beneficiários da Cassems (ABECAMS), Valdinei Figueiredo, rebateu publicamente os argumentos apresentados pela Caixa de Assistência dos Servidores de Mato Grosso do Sul em processos judiciais. Após a operadora sustentar à Justiça que “não presta assistencialismo” e “não é instituição de caridade” para defender o reajuste do plano de saúde, o dirigente associativo afirmou que a entidade, criada pelos próprios trabalhadores estaduais, tampouco pode ser gerida como um “balcão de negócios”.
O impasse gira em torno da elevação na contribuição Cobrada sobre os cônjuges dos titulares, cujo valor saltou de R$ 35 para R$ 450 — um aumento de 1.185%. Para respaldar a medida, a Cassems alega um déficit de R$ 24 milhões em 2025 e alerta para o risco de colapso financeiro a médio e longo prazo.
Segundo a defesa jurídica da operadora, representada pelo advogado Gustavo Passarelli da Silva, até 2017 os mais de 42 mil dependentes casados não geravam custos extras diretos ao titular. Naquele ano, instituiu-se uma cobrança de 1%, alterada em 2023 para uma taxa fixa de R$ 35 por dependente. Contudo, segundo dados apresentados pelo presidente da Cassems, Ricardo Ayache, a arrecadação anual com cônjuges somava R$ 61,2 milhões, enquanto as despesas médicas da categoria atingiram R$ 253,1 milhões, gerando um prejuízo operacional de R$ 191,9 milhões no setor.
Críticas à gestão e mobilização dos servidores
Para o presidente da ABECAMS, as declarações da defesa da Cassems acenderam um sinal de alerta que vai além da discussão orçamentária, demonstrando insensibilidade com a realidade dos servidores públicos e desrespeitando o caráter mutualista da instituição.
“Ninguém minimamente sensato discute a necessidade de equilíbrio atuarial em um plano de saúde. O que nós questionamos, com veemência técnica e jurídica, é a pedagogia da brutalidade financeira aplicada pela gestão de forma unilateral. Repassar um rombo orçamentário de uma só vez, rasgando o princípio da modicidade, da proporcionalidade e da boa-fé objetiva, mascara falhas graves de planejamento e gestão, jogando a conta nas costas de quem ganha menos”, declarou Figueiredo.
O dirigente enfatizou ainda a natureza de autogestão da operadora, que não possui fins lucrativos e atende a uma categoria cativa do Estado. “Tratá-la sob a ótica puramente fria e lucrativa das operadoras comerciais é ignorar o mutualismo e a solidariedade que dão base ao nosso estatuto”, concluiu.
Diante do impasse, a ABECAMS está convocando todos os beneficiários para uma manifestação pacífica nesta sexta-feira, dia 10 de julho, a partir das 9h, em frente à sede administrativa da Cassems, em Campo Grande.

