Boletim da Aprosoja/MS aponta que 29,2% das áreas cultivadas apresentam perdas no potencial produtivo; região Centro registra pior cenário econômico.
As lavouras da segunda safra de milho em Mato Grosso do Sul começam a registrar uma perda gradual em seu padrão de qualidade. De acordo com o boletim técnico semanal divulgado pela Aprosoja/MS e pelo Sistema Famasul, correspondente à terceira semana de junho, cerca de 29,2% da área total cultivada no estado apresenta algum nível de comprometimento em seu potencial produtivo. Do montante afetado, 18,3% das lavouras foram avaliadas em condições regulares e 10,9% receberam a classificação de ruins. Por outro lado, 70,8% do território monitorado segue com bom desenvolvimento.
Os critérios técnicos que rebaixaram as lavouras para a categoria ruim incluem a alta incidência de pragas, proliferação de doenças e plantas daninhas, além de anomalias biológicas como falhas no estande, desfolhamento, enrolamento das folhas e amarelamento precoce. Nas áreas consideradas regulares, essas adversidades surgem com menor intensidade, enquanto os campos classificados como bons preservam plantas sadias e alta capacidade de entrega.
Análise por regiões e municípios
O monitoramento aponta que a região Centro concentra o quadro mais preocupante do estado. Apenas 57,9% dos milharais locais mantêm condições ideais de cultivo, enquanto 18,2% operam em nível regular e 23,8% sofrem com condições ruins — o maior índice negativo de Mato Grosso do Sul. A área Sul-Fronteira vem logo em sequência no ranking de perdas, com 17,7% de suas lavouras mapeadas em estado crítico. Em contrapartida, o Norte lidera em qualidade, exibindo 92,1% de lavouras excelentes, acompanhado pelo Nordeste, com 82,9%.
O detalhamento por municípios expõe a fragilidade enfrentada no coração produtivo do estado. Em Rio Brilhante, metade das plantas já perdeu o vigor ideal: 25% estão em nível regular e outros 25% operam no pior cenário. Situação parecida ocorre em Sidrolândia e Nova Alvorada do Sul, onde um quarto da produção local recebeu nota ruim. O município de Campo Grande registra 20% de suas áreas comprometidas, mesmo índice verificado em Dois Irmãos do Buriti.
Nas demais regiões, o Sul acumula 31% de campos em situação regular e 4,9% em nível ruim. O Oeste mantém 79,4% de sua produção classificada como boa, enquanto o Sudoeste sustenta 73,6% de lavouras saudáveis, enfrentando 10% de áreas ruins.
Projeções de safra e clima
Apesar do aumento no índice de áreas afetadas por estresses agronômicos, as entidades mantiveram a estimativa global para a segunda safra, projetando 2,206 milhões de hectares plantados. A produtividade média esperada gira em torno de 84,2 sacas por hectare, gerando um volume total estimado em 11,139 milhões de toneladas.
Atualmente, o cultivo de milho ocupa 46% da área total utilizada anteriormente para a cultura da soja no estado — patamar significativamente inferior aos 75% observados em ciclos passados. O relatório adverte, por fim, que quase todas as microrregiões seguem expostas a riscos climáticos iminentes, como estiagem prolongada e geadas repentinas na fase de maturação final.

