Gigante por natureza: agropecuária salta 11,7% e carrega o PIB brasileiro nas costas

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O campo foi o grande motor da economia brasileira. Dados divulgados pelo IBGE confirmam que a agropecuária registrou um crescimento impressionante de 11,7% na comparação anual, transformando-se no principal combustível para a expansão de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. O impacto do setor foi tão profundo que ele respondeu, sozinho, por quase um terço de todo o crescimento econômico nacional no período.

Esse protagonismo histórico ganha contornos ainda mais surpreendentes quando analisado o tamanho real do setor no tabuleiro econômico. Mesmo representando uma fatia de apenas 7,1% do PIB total do país — um leve avanço em relação aos 6,7% registrados no ano anterior —, a agropecuária conseguiu superar o peso de setores tradicionalmente maiores. Para efeito de comparação, a indústria extrativa, que foi a segunda atividade que mais ajudou o PIB a subir, teve uma contribuição que não chegou à metade do impacto gerado pelo agronegócio.

No topo da pirâmide produtiva, o setor de serviços seguiu como a atividade de maior peso na economia nacional, abocanhando 69,5% do PIB, enquanto a indústria geral viu sua participação recuar para 23,4%, pressionada pela desvalorização internacional do petróleo.

Super safras e ganho de produtividade elevam o patamar do campo

O segredo por trás desse desempenho avassalador esteve na força das lavouras, impulsionada por recordes sucessivos de produtividade. As culturas de soja e milho, que juntas representam quase metade de toda a produção agrícola brasileira, foram os grandes destaques do ano, registrando saltos de produção de 14,6% e 23,6%, respectivamente. A colheita de laranja também viveu um ano dourado, com uma expansão expressiva de 28,4%.

De acordo com a análise do IBGE, embora o ritmo tenha atingido seu ápice no primeiro trimestre por conta do calendário das colheitas, a média anual do setor se manteve excepcionalmente alta. Além do sucesso nos grãos e frutas, a pecuária deu sua parcela de contribuição para o resultado final, puxada pelo aumento no abate de bovinos e pela maior eficiência na produção de leite.

O cenário para o futuro: transição de forças no PIB

Logo após a divulgação dos dados oficiais, a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda projetou que o ritmo de crescimento da economia deve se manter estável no ciclo seguinte, com uma nova expansão estimada em 2,3%. No entanto, a dinâmica por trás desse crescimento deve mudar de mãos.

Os técnicos do governo preveem uma desaceleração acentuada do agronegócio, motivada por uma menor produção esperada de milho e arroz, além da natural reversão do ciclo pecuário, que deve reduzir o volume de abate de bovinos. Mesmo com a perspectiva de mais uma colheita recorde de soja no horizonte, a expectativa é que o protagonismo do crescimento econômico seja transferido para os setores de serviços e da indústria de transformação, que devem acelerar para compensar o ritmo mais brando do campo.

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